Quem é Alexandre Zadra

Venho atuando no campo da genética de cruzamento desde 1989, ano que eu e minha turma, a oitava, concluímos o curso de zootecnia na USP, campus de Pirassununga (SP).

Como venho de família de industriais, para estudar zootecnia tive que quebrar tabus, pois era um garoto urbanóide que não tinha noção das dificuldades da profissão. Talvez essa tenha sido minha maior vantagem numa época que não havia estágio obrigatório no curso de zootecnia da USP, tendo então que procurar estágios de férias para poder aprender na prática o que era ensinado na sala de aula.

Foram inúmeras horas de estágio no “Projetão” (projeto de cruzamento dialelo entre Gir-Caracu-Nelore) no próprio Campus do CIZIP, outras tantas horas nas fazendas de pesquisa, como o IZ, bem como em fazendas de amigos, como na fazenda da família Caldeirão, construindo uma base forte de gado de corte e seus cruzamentos.

Tudo estava arrumado para eu ficar na Universidade de Ohio com o Dr. Kline, professor convidado para desenvolver na USP pesquisas relacionadas ao aumento de digestibilidade da cana pela quebra de lignina usando cinza no seu tratamento, quando o Professor Jose Bento Ferraz me indicou para ser técnico de cruzamento da Pecplan Bradesco, na época a maior central de sêmen brasileira.

Não tive dúvidas. Desisti dos dois anos que teria na Universidade de Ohio como bolsista e fiquei aqui, iniciando pela Pecplan minha caminhada na genética, colaborando na escolha de touros das raças taurinas no Brasil e no exterior, para uso dirigido de seu sêmen nos rebanhos dos clientes. Foram três anos como funcionário da Pecplan.

Depois disso, fui contratado por Ulrich Lenk, proprietário da Elite Gen, filial da Spermex no Brasil, empresa de importação de genética alemã, que trazia sêmen, animais e embriões das raças Fleckvieh, Gelbvieh, Braunvieh e Holandês. Como gerente técnico-comercial, dei os primeiros passos no campo comercial, formando a equipe de representantes e organizando toda a parte de vendas da Elite Gen, onde permaneci até 1995.

Em setembro de 1995, tomei a difícil decisão de me mudar, como representante de sêmen, para o extremo Sul da Bahia, mais exatamente para Teixeira de Freitas, por vislumbrar boas importações de animais vivos para o Estado do Nordeste, bem como por ser a região berço do Red Norte e uma das que mais inseminava em todo Brasil. Lá fiquei até 1999, quando então voltei para o Estado de São Paulo.

No início do ano 2000, fui contratado pela Alta Genetics como técnico de cruzamento. Era a oportunidade para voltar a fazer o que mais gostava: orientar os pecuaristas no uso das diversas raças, ao mesmo tempo que treinava a equipe de vendas. Na empresa, tive a chance de conhecer Jonh E. Frisch, pesquisador do CSIRO na Austrália e um dos maiores, senão o maior conhecedor de raças taurinas adaptadas. Absorvi muito conhecimento sobre os adaptados e seus cruzamentos, sendo responsável por difundir o Sistema Frisch de Cruzamento pelo País, sistema rotacionado entre Nelore, Red Angus, Senepol e Hotlander.

A derrocada do cruzamento se deu entre os anos de 2003 e 2007, onde fui um dos poucos que não sucumbiu ao zebu, defendendo o cruzamento com a fundamentação óbvia da maior produtividade com o aproveitamento da heterose através do cruzamento.

Concluindo meu MBA em Planejamento Estratégico pela FGV em 2004, complementei minha formação na área de marketing, melhorando meu desempenho como gerente de produto taurinos da Lagoa da Serra, atual CRV Lagoa.

Entre 2003 e 2010, viajei pelo Brasil orientando em cruzamento e colhendo resultados de minhas recomendações, possibilitando um acumulo prático dos cruzamentos, usando as diversas raças taurinas britânicas, continentais e adaptadas, sendo então responsável pela gestão da pasta taurina nessa empresa, então líder de vendas de sêmen no Brasil.

Foi nessa época, como diretor da ABNP (Associação Brasileira do Novilho Precoce), que organizei diversos cursos de classificação de carcaças.

Lembro-me muito bem que, a partir de 2008, o Angus começou sua escalada de vendas de sêmen em virtude do programa de premiação de carne Angus do frigorifico Marfrig, permanecendo até hoje como a principal raça taurina na venda de sêmen e diversas vezes retratadas nas minhas crônicas.

Em 2010, fui contratado como gerente de produto Genômica da Intervet (atual MSD), desenvolvendo e organizando toda a parte técnica-comercial da venda do teste genomico para a raça Nelore, batizado de Gtag.

Em 2012, o programa Gtag, na Merck, havia acabado, quando a CRI Genética me deu uma oportunidade, oferecendo a supervisão de área para os Estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre, podendo assim formar minha equipe de vendas, orientando os principais clientes no uso das raças. Em 2017, minha equipe vendeu 500 mil doses, sendo 75% de sêmen de Angus, 20% de sêmen de Nelore e 5% para as raças adaptadas e leiteiras.