Pergunta:

Posso usar o Senepol também nas minhas F1 Angus? Qual é o futuro para a raça Senepol no Brasil? Rodrigo (Rondonópolis/MT)

Resposta:

Rodrigo, há pouco mais de uma semana soltamos um post sobre uso de raças adaptadas sobre a F1 e não cogitamos a raça Senepol como opção por falha nossa. Para você ter ideia, crio na minha terra Senepol, Bonsmara e Caracu, cruzando minhas F1 com as três raças, tendo resultados sempre muito positivos no tocante a produção de bois pesados e bem terminados, além de fêmeas muito produtivas e férteis.

Na teoria, sempre falamos que toda raça tem seus pontos fortes, os quais devem ser muito bem explorados para se maximizar o desfrute dentro de cada sistema de produção e, sobretudo, aumentar a lucro da atividade. No caso do Senepol, devemos explorar sua adaptabilidade ao calor, o qual produz sobre a F1 um tricross de grande tolerância ao calor. Como considero o Senepol uma raça adaptada e de biotipo britânico, devemos priorizar o uso de sêmen ou touro Senepol sobre matrizes Continentais como as ½ Simental ou ½ Charolesas, pois nesse caso exploramos ao máximo a complementariedade entre os biotipos britânicos e Continentais como abaixo demonstrado:

Boi Tricross Senepol x vaca ½ Simental confinado no MS. 16 meses e 520 kg

Novilhas Tricross Senepol x F1 Simental. Chaco Paraguaio

Novilha Tricross Senepol x F1 Simental – Bama Agropecuária. Juara (MT)

Garrote superprecoce Tricross Senepol x F1 Charolesa, pesando 520 kg aos 16 meses. Juti (MS)

Sobre as F1 Angus o Senepol resulta em animais muito precoces, sendo que sugerimos que se use o Senepol sobre vacas adultas ou com ração no creep desde novinho, a fim de se desmamar animais bem pesados, produzindo com mais facilidade bois pesados e precoces.

Outro detalhe importante para o uso do Senepol no cruzamento é a utilização de touros Senepol de grande porte e no início da estação de monta (bezerros nascidos em agosto/setembro desmamam sempre mais pesados), mantendo seus filhos inteiros quando levados ao cocho, pois precisam desse hormônio masculino para compensar a queda no ganho em peso à partir de 420 kg.

Respondendo sua outra questão, Rodrigo, tenho uma boa notícia para os criadores de Senepol, raça essa reconhecidamente adaptada ao calor. O Senepol como touro tem um grande futuro no Brasil, pois como já disse é rústico, cobrindo muito bem no clima tropical. Aliás, quanto mais calor fizer, mais ele trabalhara na monta, onde já testemunhei lotes de 60 a 70 novilhas com um único touro Senepol e ao final dos 60 dias de monta estavam praticamente todas prenhes.

Afirmo que o crescimento do Senepol continuará forte por que a raça tem um biotipo ideal para cruzar com a matriz mais usada no gado de corte brasileiro: a vaca Nelore. Assim sendo, o cruzamento do Senepol com o Nelore, como vem ocorrendo naquelas propriedades que não possuem inseminação, gera um produto excepcional de carcaça e precocidade, atendendo o peso ideal e o acabamento exigido pela indústria.

Bezerros ½ sangue Senepol – Nelore, no MT. Muito peso e carcaça

Quando falamos em formação de raças compostas, o Senepol tem papel importante. Veja o exemplo do Simempol criado por Guilherme Torres, o qual selecionava Simental no sul de Mato Grosso do Sul e cruzou suas melhores matrizes com o Senepol, produzindo um F1 Senepol-Simental, batizado por ele de Simempol, o qual usa seus touros para cobrir seu rebanho Nelore.

Touro Simempol pronto para iniciar a cobertura no MS

Outra raça composta produzida com o Senepol, que alia tolerância ao calor e produção, é o Senangus, sendo a cruza do Senepol x Angus, mantendo as características de conformação britânica para uso na vaca Nelore no Brasil tropical.

Tourinhos Senangus. Ivo Reich (MS)

Espero ter respondido suas questões e me coloco a disposição para dirimir outras dúvidas sobre essa e outras raças e seus cruzamentos.